sábado, 18 de agosto de 2012

Pedaços seus em pedaços meus


           Se passou muito tempo desde aquele dia em que te vi. Você estava cansado, com os olhos baixos e um semblante de preocupação. Te perguntei o motivo, você não respondeu. Apenas me abraçou forte, me deu um beijo na testa e partiu.
          Eu não conseguia parar de pensar em você, meu coração batia acelerado enquanto buscava possíveis respostas diante do espelho. O que aconteceu? O que eu fiz de tão errado para você ter me abandonado assim? E por que estava tão triste agora? Será saudade? Será que algo ficou mal resolvido dentro do seu coração?
          Buscava em mim respostas que estavam em você. As lágrimas rolavam pelo meu rosto e aquelas palavras ditas outrora não paravam de ecoar em meus pensamentos. Quis ouvir a nossa música, aquela música que embalou nosso primeiro beijo e que, ultimamente, costumava invadir meus pesadelos.
          Apenas queria estar do seu lado, deitar sua cabeça em meu colo e acariciar seus cabelos do mesmo jeito que você fazia comigo quando eu estava triste por qualquer bobagem. Mas você não é o tipo de pessoa que se aborrece por bobagens. Alguma coisa grave deve ter acontecido. Eu queria poder compartilhar suas angústias, dizer qualquer coisa boba que te fizesse sorrir. Mas essa não sou eu, sempre foi você. Sempre foi você a me tirar do fundo do poço e me mostrar o sol do seu sorriso.
          Hoje eu sinto falta, muita falta. Mas não há mais o que fazer. Há outra em meu lugar fazendo tudo aquilo que eu nunca fiz por você. O mundo gira tão rápido que eu fico tonta só de pensar.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Se você quiser se abrir


Se você quiser se abrir para alguém:

Abra bem os olhos e enxergue toda a sua beleza, mas não ignore seus defeitos, principalmente aqueles que podem magoar.

Abra bem os ouvidos e escute todas as suas ideias, seus medos, seus sonhos, suas verdades e angústias.

Abra a sua mente para compreender toda a sua alteridade, suas diferenças que o fazem uma pessoa única e humana.

Abra bem os braços quando ele precisar de um abraço, de um afago, de um apoio ou quando você estiver precisando desse aconchego.

Abra um sorriso para alegrar seu dia. Abra a sua boca para dizer coisas importantes, para dizer coisas sem sentido, para aconselhar, para pedir conselho. Se quiser, abra a sua boca para que ela seja silenciada com um beijo, um doce beijo, um beijo amargo, um beijo que não tem descrição.

Você pode ir mais fundo e abrir o seu vestido. Abrir os caminhos do seu corpo para que esse alguém possa percorrer.

Mas a última coisa que você deve abrir é o seu coração. Porque se você abrir logo de chegada, ele vai dominar todos os seus sentidos. Os olhos não vão conseguir enxergar além daquilo que o coração quiser, os ouvidos só vão escutar o que ele deixar, sua boca vai sentir o gosto que ele procura. As palavras sem sentido ou com sentido vão ganhar um significado bem maior do que possuem. Cada momento se tornará uma marca muito difícil de apagar e que pode durar muito, pode doer muito.

Não deixe de se abrir, mas abra seu coração apenas depois de perceber para quem vale a pena simplesmente fechar os olhos e se entregar.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

De dentro pra fora

Quero alguém que me proteja,
me acorde de meus pesadelos,
me abrace bem forte
e acaricie meus cabelos.

Quero alguém que queira ter um futuro comigo,
me ajude a encontrar meu tesouro perdido
e que esteja em meus sonhos
como está em meu coração.

Estou apostando tudo nesse amor
que não tem explicação:
Vibra de dentro pra fora.
E o que eu quero agora
é adormecer em seus braços
até o dia em que essa tempestade passar.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Distimia

            Há muitos anos, eu sinto que existe algo de errado ou de diferente comigo, mas eu não sabia o que era. Eu queria muito que alguém me dissesse. E esse dia chegou. Hoje descobri que tenho distimia. É um tipo de depressão leve que acaba por se confundir com a personalidade da pessoa.
            Agora que esse dia chegou, eu não sei bem o que pensar. Não sei se sou o reflexo de todas essas características apresentadas como sintomas típicos da distimia. Não sei até onde o que eu sou faz parte da minha personalidade e até que ponto faz parte da depressão que acabou estruturando o que sou e como eu lido com o mundo.
           Toda essa discussão de que aquilo que parece natural, na verdade foi historicamente construído e, portanto pode ser modificado a partir das ações dos sujeitos históricos tem tudo a ver com aquilo que estudo e acredito. Agora, descobri que também está intimamente relacionado com tudo o que eu sou individualmente e com o modo como os outros me veem. Mas não basta apenas a minha vontade de mudar, eu preciso de remédios, de psicoterapia e sabe-se lá mais o quê para que essa mudança ocorra e eu sei que não vai ser de uma hora para a outra. Tem um pouco de biologia, história, psicologia, muita interdisciplinaridade para o meu gosto como tem na arqueologia, uma ciência que me desperta tanta paixão.
             Eu só espero que Bertold Brecht tenha razão e que, em uma curta ou longa duração, a minha história possa se modificar.

"Desconfiai do mais trivial,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar."

(Bertold Brecht)

quinta-feira, 10 de maio de 2012

...


Não sei o que quero, além da minha cama e dessa tela fria.
To sem ar, sem chão, com o coração vazio.
Não suporto mais esse frio
que resolveu em meu ser se hospedar.
Não adiantam remédios, anestesias, telefonemas
se são do meu íntimo esses problemas
que eu nem sei mais quais são.
Estou cansada e não sei bem de quê.
Será que alguém pode me tirar de dentro desse poço
Ou sou eu que vou ter que, mais uma vez, fazer um grande esforço
pra ver se encontro uma luz no meio dessa escuridão
que, nesses dias, resolveu me invadir?

sábado, 5 de maio de 2012

Nem dormir, nem acordar

Minhas mãos trêmulas não deixam meus lábios mentir. Estou cansada. Aos 22 anos, tenho cabelos brancos e um semblante de preocupação. Não sei de onde vem tudo isso ou para onde tudo isso vai. Meu coração bate acelerado. Eu quero tantas coisas que às vezes isso me paralisa e tenho vontade de apenas me esquecer um pouco mais. Os minutos passam. Eu não quero dormir, nem acordar. A realidade grita muito alto nos meus ouvidos, principalmente durante o sono.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Do que eu gosto


          Os baixinhos que me perdoem, mas eu gosto de homem grande.
          Desses que pegam a gente no colo sem esforço, que fazem a gente ficar nas pontas dos pés para beijar. Dos que cuidam, dos que tomam iniciativa. Grande em todos os sentidos: no tamanho, no coração e na coragem.
           Não sou bonequinha de porcelana. Por isso, ficarei feliz se você for grande o suficiente para tirar meus pés do chão.

sábado, 21 de abril de 2012

Limites


          Todo mundo tem seus limites. Os meus não são muito altos. Muitas vezes sinto que ultrapasso esses limites. Atinjo metas, mas meu corpo e meu espírito sofrem com isso. São noites mal dormidas, enxaquecas e lágrimas que parecem não ter fim.
          Corresponder a todas as expectativas é impossível. Quanto mais você se esforça, mais as pessoas creem que você é forte o bastante para corresponder a expectativas maiores e quando você falha, elas simplesmente desaparecem do seu lado.  Escrevo para tentar entender, para tentar aceitar, para buscar preencher um pouco desse vazio que hoje se formou no meu peito.  Perceber o quanto sou frágil nesse mundo que exige tanto as minhas forças sem me dar nada em troca.
          Eu sei que Deus está do meu lado. E é isso o que me dá forças para continuar a existir.

"Questions of science, science and progress don't speak as loud as my heart. (...) Nobody said it was easy. No one ever said it would be so hard." (Coldplay)

sábado, 10 de março de 2012

A luta continua

          Desculpa, mas eu não vou facilitar as coisas pra você.  Nunca foi fácil pra mim e ser compreensiva demais sempre me trouxe mais danos do que recompensas. A luta continua e que venham mais dias solitários como esse para que eu possa respirar um pouco mais fundo, sentir o que meu coração quer de verdade, fechar os olhos e imaginar o que está por vir.
          Sem dúvida, as coisas mudaram muito nos últimos tempos. Agora entendo o porquê de algumas escolhas que fiz apenas por intuição. Deus me inspira a todo o momento (eu sinto isso) e coloca pessoas em meu caminho que possam cuidar um pouco de mim. Mas vai ser difícil você me ter nas mãos. Porque estou aprendendo a ser livre, a ser firme quando preciso for, a não sentir culpa por tomar certas decisões intempestivas e a trilhar o meu caminho sem ter tanto medo de magoar alguém com a minha presença para que a ausência que dói tanto no meu peito não possa mais me acompanhar.
"Cruz na parede e no púlpito, nas nossas costas de súbito, pesada pra se carregar. Porta abre e fecha o caminho, o balaio eu carrego sozinho e ilumino esta cruz com meu jeito de andar." (O Teatro Mágico)

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Detesto quando o mundo para

Detesto quando o mundo para
E me esquece sozinha dentro desse apartamento
Na companhia de meus tormentos,
Que insistem em converter-se em água
Não o bastante para me afogar,
Nem para preencher esse vazio,
Que me sufoca, que me paralisa diante de mim mesma.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Lágrimas da madrugada

Queria que o tempo tivesse parado naquele momento,
Que seus olhos nunca tivessem parado de brilhar pra mim,
E que minha boca nunca tivesse provado outros beijos
Tão amargos que eu não pude evitar.

Sentir sua pele naquela manhã de sol
Era o que eu queria nessa madrugada escura:
Todos os momentos que se tornariam lembranças,
Todos os presentes que se converteriam em passado,
Todas as promessas que se tornariam pó.

Eu sabia que ia ser difícil sem você,
Só não sabia o quanto.
Ainda não aprendi a cuidar de mim.
Acho que ainda espero você voltar.

"Vai ser difícil sem você porque você está comigo o tempo todo. E quando vejo o mar existe algo que diz que a vida continua e se entregar é uma bobagem. Já que você não está aqui, o que posso fazer é cuidar de mim." (Legião Urbana)

"It has been a long and hard road without you by my side." (Good Charlotte)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Tão frio lá fora

Escrito em 07/05/2011

Me abraça forte.
Está tão frio lá fora.
Aqui dentro tão vazio.

Me namora, me deseje,
me ame, me queira.
Eu também te quero, meu amor.

Fique aqui do meu lado,
não vá embora.
Me aqueça com seus beijos doces,
me use a seu bel-prazer.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Era uma casa

Escrevi esse texto quando tinha entre 8 e 9 anos de idade. Na verdade, era uma música... Decidi postá-lo porque acho ele bem bonitinho, porque ando sem inspiração e porque ele diz muito da minha relação com a escrita, que começou muito cedo.

Era uma casa

Era uma casa
no meio do horizonte e do mar.
O sol refletindo
os pássaros a voar.

Essa casa
não é tão linda quanto a flor.
Mas é repleta
de carinho e de amor.

Todas as noites,
essa casa se torna amor.
E sai distribuindo
para que está com mágoas e dor.

Essa casa
não funciona à pilha não.
Ela funciona
com a bondade do nosso coração.